Assessment of Cognitive Fatigue and Decision-Making Burden in the Postoperative Period in General Surgery
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21934329Keywords:
Fadiga Cognitiva, Monitoramento do Paciente, Complicações Pós OperatóriasAbstract
Introdução: A recuperação pós-operatória em cirurgia geral envolve alterações fisiológicas, metabólicas e neurocognitivas que podem interferir na capacidade de tomada de decisão, na mobilização, na adesão às medidas terapêuticas e na identificação precoce de complicações. Embora parâmetros tradicionais, como sinais vitais e exames laboratoriais, sejam amplamente utilizados na vigilância pós-operatória, aspectos relacionados à fadiga cognitiva e à carga decisória do paciente e da equipe assistencial ainda são pouco explorados como componentes da segurança cirúrgica. O desenvolvimento de tecnologias de monitoramento contínuo e de ferramentas digitais possibilita a identificação de alterações sutis durante a recuperação, criando perspectivas para a avaliação individualizada do risco pós-operatório.
Objetivo: Analisar as evidências disponíveis sobre fadiga cognitiva e carga decisória durante a recuperação após procedimentos de cirurgia geral, enfatizando possíveis marcadores clínicos e digitais, estratégias de monitoramento e sua relação com complicações e desfechos pós-operatórios.
Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nas bases de dados PubMed, Scopus e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram utilizados os descritores "Postoperative Cognitive Dysfunction", "Cognitive Fatigue", "General Surgery", "Postoperative Complications", "Digital Health" e "Patient Monitoring", combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos estudos publicados entre 2020 e 2026, disponíveis na íntegra nos idiomas inglês, português e espanhol, que abordassem aspectos cognitivos, monitoramento pós-operatório ou ferramentas digitais aplicáveis a pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos. Foram excluídos relatos de caso, cartas ao editor, editoriais e estudos sem relação direta com o período pós-operatório em cirurgia geral.
Resultados: As evidências disponíveis sugerem que alterações cognitivas e redução da capacidade funcional durante o período pós-operatório podem estar associadas a maior vulnerabilidade clínica, atraso na recuperação e maior risco de eventos adversos. Idade avançada, inflamação sistêmica, distúrbios metabólicos, alterações do sono, dor, uso de determinados medicamentos e maior complexidade cirúrgica foram identificados como fatores potencialmente relacionados à deterioração cognitiva e funcional. Estratégias de monitoramento contínuo, incluindo dispositivos vestíveis, parâmetros fisiológicos digitais e ferramentas de avaliação cognitiva, apresentam potencial para complementar a vigilância convencional e identificar alterações precoces antes da manifestação clínica de complicações. Entretanto, a heterogeneidade dos métodos utilizados e a ausência de protocolos padronizados ainda limitam sua aplicação rotineira na prática cirúrgica.
Conclusões: A avaliação da dimensão cognitiva durante a recuperação pós-operatória representa uma perspectiva emergente na segurança do paciente cirúrgico. A incorporação de métodos objetivos de avaliação cognitiva e ferramentas digitais de monitoramento pode ampliar a capacidade de identificação precoce de pacientes vulneráveis e permitir intervenções individualizadas.
References
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