RESUMO SIMPLES: A fadiga terapêutica na multimorbidade: quando a complexidade do tratamento compromete a adesão e os desfechos clínicos
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22757083Palabras clave:
Multimorbidade, Carga Terapêutica, Polifarmácia, Adesão ao Tratamento, Doença Crônica, Clínica MédicaResumen
Introdução: A multimorbidade é cada vez mais frequente na prática clínica e está associada a tratamentos complexos, uso simultâneo de múltiplos medicamentos, consultas recorrentes, realização de exames e necessidade de mudanças terapêuticas ao longo do tempo. Embora essas estratégias sejam necessárias para o controle das doenças crônicas, a soma das demandas pode ultrapassar a capacidade do paciente de manter o tratamento de forma adequada, contribuindo para baixa adesão, abandono de cuidados e piora da qualidade de vida. Nesse contexto, o conceito de fadiga terapêutica permite compreender o impacto cumulativo das exigências impostas pelo cuidado de múltiplas condições clínicas.
Objetivo: Discutir o conceito de fadiga terapêutica na multimorbidade e sua relação com complexidade do tratamento, adesão, qualidade de vida e desfechos clínicos.
Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nas bases PubMed, Scopus e Biblioteca Virtual em Saúde. Foram utilizados os descritores "Treatment Burden", "Treatment Fatigue", "Multimorbidity", "Polypharmacy", "Medication Adherence", "Chronic Disease" e "Patient-Centered Care", combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram considerados estudos publicados entre 2020 e 2026, nos idiomas inglês, português ou espanhol, que abordassem a relação entre multimorbidade e complexidade das demandas terapêuticas. Foram excluídos relatos de caso, cartas ao editor, editoriais e estudos sem relação direta com a temática.
Resultados: A literatura demonstra que a carga do tratamento resulta de diferentes componentes, incluindo número de medicamentos, frequência das doses, consultas, exames, mudanças terapêuticas, custos e exigências de autocuidado. Em pacientes com multimorbidade, a combinação dessas demandas pode produzir sobrecarga física e emocional, dificultar a compreensão das recomendações e comprometer a continuidade do cuidado. A complexidade terapêutica também pode favorecer comportamentos de não adesão, particularmente quando os benefícios percebidos do tratamento são inferiores ao esforço necessário para executá-lo. Estratégias como simplificação dos esquemas medicamentosos, priorização de objetivos terapêuticos e decisões compartilhadas podem reduzir essa sobrecarga.
Conclusões: A fadiga terapêutica representa uma perspectiva relevante para compreender as dificuldades enfrentadas por pacientes com multimorbidade. Considerar não apenas o número de doenças, mas também o esforço necessário para administrar o tratamento, pode favorecer decisões clínicas mais individualizadas e realistas. A incorporação desse conceito à prática da Clínica Médica pode contribuir para reduzir tratamentos excessivamente complexos e melhorar a continuidade do cuidado.
Citas
DUNBAR, S. B. et al. Multimorbidity and the burden of treatment: a systematic review. Journal of General Internal Medicine, 2022.
SAV, A. et al. Treatment burden and chronic illness: who is at risk and how can it be managed? Patient Related Outcome Measures, v. 9, p. 13-24, 2018.
SHARP, M. et al. The burden of treatment in people with multimorbidity: a systematic review of qualitative studies. BMJ Open, 2023.
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Derechos de autor 2026 Janete Belchior de Oliveira, Clayton Bonani Novais, Beatriz Santos Ferreira Bagano Campos, Alice Pasquim Sugayama, Leonardo Francisco de Castro Sismeiro

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