RESUMO SIMPLES: A fadiga terapêutica na multimorbidade: quando a complexidade do tratamento compromete a adesão e os desfechos clínicos

Autores

  • Janete Belchior de Oliveira Must University
  • Clayton Bonani Novais Must University
  • Beatriz Santos Ferreira Bagano Campos UNIRG
  • Alice Pasquim Sugayama Universidade Anhanguera-UNIDERP
  • Leonardo Francisco de Castro Sismeiro Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.22757083

Palavras-chave:

Multimorbidade, Carga Terapêutica, Polifarmácia, Adesão ao Tratamento, Doença Crônica, Clínica Médica

Resumo

Introdução: A multimorbidade é cada vez mais frequente na prática clínica e está associada a tratamentos complexos, uso simultâneo de múltiplos medicamentos, consultas recorrentes, realização de exames e necessidade de mudanças terapêuticas ao longo do tempo. Embora essas estratégias sejam necessárias para o controle das doenças crônicas, a soma das demandas pode ultrapassar a capacidade do paciente de manter o tratamento de forma adequada, contribuindo para baixa adesão, abandono de cuidados e piora da qualidade de vida. Nesse contexto, o conceito de fadiga terapêutica permite compreender o impacto cumulativo das exigências impostas pelo cuidado de múltiplas condições clínicas.

Objetivo: Discutir o conceito de fadiga terapêutica na multimorbidade e sua relação com complexidade do tratamento, adesão, qualidade de vida e desfechos clínicos.

Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nas bases PubMed, Scopus e Biblioteca Virtual em Saúde. Foram utilizados os descritores "Treatment Burden", "Treatment Fatigue", "Multimorbidity", "Polypharmacy", "Medication Adherence", "Chronic Disease" e "Patient-Centered Care", combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram considerados estudos publicados entre 2020 e 2026, nos idiomas inglês, português ou espanhol, que abordassem a relação entre multimorbidade e complexidade das demandas terapêuticas. Foram excluídos relatos de caso, cartas ao editor, editoriais e estudos sem relação direta com a temática.

Resultados: A literatura demonstra que a carga do tratamento resulta de diferentes componentes, incluindo número de medicamentos, frequência das doses, consultas, exames, mudanças terapêuticas, custos e exigências de autocuidado. Em pacientes com multimorbidade, a combinação dessas demandas pode produzir sobrecarga física e emocional, dificultar a compreensão das recomendações e comprometer a continuidade do cuidado. A complexidade terapêutica também pode favorecer comportamentos de não adesão, particularmente quando os benefícios percebidos do tratamento são inferiores ao esforço necessário para executá-lo. Estratégias como simplificação dos esquemas medicamentosos, priorização de objetivos terapêuticos e decisões compartilhadas podem reduzir essa sobrecarga.

Conclusões: A fadiga terapêutica representa uma perspectiva relevante para compreender as dificuldades enfrentadas por pacientes com multimorbidade. Considerar não apenas o número de doenças, mas também o esforço necessário para administrar o tratamento, pode favorecer decisões clínicas mais individualizadas e realistas. A incorporação desse conceito à prática da Clínica Médica pode contribuir para reduzir tratamentos excessivamente complexos e melhorar a continuidade do cuidado.

Referências

DUNBAR, S. B. et al. Multimorbidity and the burden of treatment: a systematic review. Journal of General Internal Medicine, 2022.

SAV, A. et al. Treatment burden and chronic illness: who is at risk and how can it be managed? Patient Related Outcome Measures, v. 9, p. 13-24, 2018.

SHARP, M. et al. The burden of treatment in people with multimorbidity: a systematic review of qualitative studies. BMJ Open, 2023.

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Publicado

2026-09-25

Como Citar

de Oliveira, J. B., Novais, C. B., Campos, B. S. F. B., Sugayama, A. P., & Sismeiro, L. F. de C. (2026). RESUMO SIMPLES: A fadiga terapêutica na multimorbidade: quando a complexidade do tratamento compromete a adesão e os desfechos clínicos. International Journal of Health and Surgical Research, 2(CISIPE), 23–24. https://doi.org/10.5281/zenodo.22757083