Polifarmácia em Adultos Jovens com Doenças Crônicas: Estamos Medicalizando Precocemente?
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18843631Palavras-chave:
Polifarmácia, adultos jovens, doenças crônicas, multimorbidade, medicalização, adesão terapêuticaResumo
A polifarmácia, tradicionalmente associada ao envelhecimento, tem sido cada vez mais observada em adultos jovens com doenças crônicas. O diagnóstico precoce de condições metabólicas, cardiovasculares, inflamatórias e psiquiátricas, aliado à ampliação de estratégias preventivas farmacológicas, contribui para a introdução simultânea de múltiplos medicamentos ainda nas primeiras décadas da vida adulta. Esse cenário levanta questionamentos sobre possível medicalização precoce e seus impactos clínicos a longo prazo. O objetivo foi analisar, por meio de revisão de literatura, a prevalência, os fatores associados e as implicações clínicas da polifarmácia em adultos jovens com doenças crônicas. Trata-se de revisão narrativa com busca nas bases PubMed, Scopus e SciELO, incluindo estudos publicados nos últimos dez anos que abordaram indivíduos entre 18 e 45 anos. Foram analisadas variáveis como prevalência de polifarmácia, multimorbidade, adesão terapêutica, eventos adversos e impacto na qualidade de vida. Observou-se aumento progressivo da prescrição múltipla nesse grupo etário, especialmente na presença de multimorbidade e acompanhamento por diferentes especialistas. A maior carga medicamentosa associou-se a risco ampliado de efeitos adversos leves, menor adesão e maior utilização de serviços de saúde. Conclui-se que a polifarmácia em adultos jovens representa fenômeno crescente e multifatorial, exigindo estratégias de prescrição racional, integração do cuidado e produção de estudos longitudinais que avaliem seus efeitos cumulativos ao longo do curso de vida.
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